As 10 montanhas mais altas do Brasil

  André Dib  

Desde os primórdios os homens buscam o tá de uma serra sem um motivo aparente. O que leva as pessoas às alturas de um pico? Superação da requisito humana? Transcendência? Ou somente a sensação da conquista? Essas são questões tão antigas uma vez que a própria humanidade. A serra sempre esteve presente no imaginário das pessoas em todas as civilizações, através da mitologia que fundamenta e guia a história dos povos.

O Monte Olimpo era a residência dos deuses para os antigos gregos, e através da mitologia, influenciou diretamente toda a cultura ocidental.

No folclore nipónico, as montanhas são sagradas e todas possuem uma atmosfera sobrenatural. O Monte Fuji, por exemplo, seria a passagem para o outro mundo. Na mitologia Taoista, os imortais iam viver no cume dos grandes montes. O Monte Roraima, sustenta a morada do deus Macunaíma.

Onde subsistir um pico imponente, marcando a paisagem, foi, ou é, para alguns um lugar sagrado ou a morada de um deus.

O indumento é que as montanhas causam no varão perplexidade diante de sua natureza descomunal. Instigam a percepção de seu tamanho, insignificante, ínfimo diante da grandeza do mundo e da natureza que o muro. A serra simboliza a ruptura entre os níveis, do racional para o imaginário que ilustra os sonhos. Faz a relação entre o firmamento e a terreno.

Para a filósofa Zelita Seabra, O paixão à serra, naqueles que o sentem, tem raízes profundas.

O ritual de preparação, o ato da subida, a procura pela imensidão faz segmento do íntimo de muitos indivíduos, que não se contentam exclusivamente à contemplação. É um momento de introspecção, a viagem se interioriza. O sentimento de subir é indizível, o silêncio é rompido pela respiração ofegante. O cume se aproxima!

Por que o ser humano é tomado pela inquietude, por essa ânsia de buscar o feitiço no incógnito?

O Jornalista Jon Krakauer, cita as encenações grosseiras em filmes e metáforas banais ao que o tema se presta, no magnífico livro “Sobre Homens e Montanhas”. Lembra ainda a tradução equivocada de alguns psicanalistas que nunca romperam os limites de um consultório.

A vocábulo “montanhismo”, na concepção do público contemporâneo, culpa a mesma repulsa da idéia de estar diante de tubarões ou abelhas assassinas. Porém, o êxtase das alturas está ligada ao ser humano, incontestavelmente, uma vez que a experiência de um tanto sublime, que nos permite enxergar e sentir que fazemos segmento de um todo muito maior, que nunca vamos compreender.

O Brasil é um país extenso, publicado por suas belas praias e pela maior floresta tropical do mundo. No entanto, além de dunas, ilhas, rios e florestas, mesmo sendo um lugar de escassas altitudes, existe um Brasil imponente em sua magnitude, e ainda muito pouco publicado.

As montanhas brasileiras são excessivamente baixas, se comparadas aos grandes picos andinos que ultrapassam os 6 milénio metros, ou os gigantes nevados do Himalaia, que se espicham a mais de 8 milénio metros de altitude. No entanto, elas têm suas peculiaridades. Em lugares distintos surgem sobre a forma de grandes muralhas, seja na Mantiqueira ou Caparaó, a espreita, margeando grandes centros ou nos confins do nosso território, circunvalado por matas densas e inacessíveis, sobre a Serra do Imeri, no extremo setentrião do país. Sobressaem-se, sempre, roubando a cena, se espichando e rompendo as nuvens em direção aos céus.

No texto que segue, escolhi 10 montanhas que figuram entre as maiores do país. Na verdade, fazem segmento de listas que divergem uma das outras e instigam discussões sobre quais podem ser consideradas realmente um pico e as que exclusivamente compõem cumes secundários de uma mesma serra. Existem estudos que elegem, no Caparaó, outros dois picos sem nome, no grupo das grandes montanhas brasileiras. O Pico do Calçado, na Serra do Caparaó, também fomenta discussão. Com o passar dos anos, medições têm sido refeitas, principalmente a partir do projeto “Pontos Culminantes” do Instituto Brasiliano de Geografia e Estatística – IBGE, voltado para a conferência e revisão das medidas, que começou em 2001, um trabalho ainda em curso, onde fizemos a última atualização com as novas medições de 2016. Com isso, listas serão refeitas e classificações sobre as porções mais altas do País serão retomadas, fazendo das medidas existentes referências de uma verdade transitória e não absoluta. Nesse sentido, a seleção que segue é muito mais simbólica do que pautada por um rigor científico e pretende se oferecer uma vez que um invitação aos apaixonados pelos desafios, pela liberdade e pelas peculiares experiências propiciadas pelos desejados cumes.

 
as 10 montanhas mais altas do Brasil
 

1ª – Pico Da Neblina (2.995 m) | Serra do Imeri (AM)

NEBLINA – O cume do Pico da Neblina, em uma rara cena que é provável divisar o horizonte. Foto: André Dib
 

A neblina ofusca a visão e oculta a paisagem, lembrando que a denominação é pura referência ao fenômeno A verosimilhança de vê-lo é pequena, já que o pico faz jus ao nome e se apresenta envolvido em sua neblina quase eterna ao longo do ano. Para se atingir o ponto culminante do país a tarefa é árdua, enfim são muro de 10 dias, enfrentando batalhões de insetos, calor, insensível, míngua e cansaço rumo ao topo do Brasil. A história começa em São Gabriel da Cascata, cidade às margens do Rio Preto, perto da mote com a Colômbia. De lá são muro de 5 horas chacoalhando sobre a carroceria de um caminhão pela barrenta BR-307, passando pela inspeção da FUNAI a estrada segue pela suplente indígena do Balaio, região habitada por diferentes etnias, entre elas Tukános, Desána, Yepamashã, Kobéwa, Tuyúka, Pirá-Tapúya, Baníwa, Baré e Tariáno, até atingir o rio Ya-Mirim, para iniciar uma novidade e extenuante jornada de dois dias sobre uma voadeira vencendo rios traiçoeiros, que já vitimaram algumas embarcações tombadas pelas pedras ocultas sob as águas barrentas.

Para não ter sérios problemas com os índios, é fundamental uma autorização da AYRCA (Associação Yanomami do Rio Cauaburís e Afluentes), documento liberado pelo presidente da associação e amplamente discutido com as lideranças indígenas, que questionam os motivos e intenções da expedição.

A superfície fica na Tríplice fronteira (Brasil / Venezuela / Colômbia) e freqüentemente é níveo de exploração clandestina de minérios, mina, biopirataria além da eminente proximidade dos vizinhos guerrilheiros das F.A.R.C.

O parque pátrio do Pico da Neblina foi criado na dezena de 70, sobre terras Yanomami, que tiveram sua superfície recentemente demarcada. Com sua cultura milenar, os indígenas lutam bravamente para proteger seu espaço sagrado e manter a soberania sobre seu território.

No terceiro dia é hora de deixar o embarcação. Começa a jornada por ladeiras sombreadas por mata primária, do Igarapé do Tucano em direção ao Bebedouro Velho, lugar do próximo pernoite. A umidade é um dos piores adversários, penetrando nas frestas mais protegidas dos equipamentos. No outro dia segue-se ao bebedouro novo e as pegadas de onça mostram que os felinos estão à espreita. O calor beirada o insuportável, e a chuva é presente em toda jornada. No dia seguinte, o terreno começa a se modificar vagarosamente e o caminho de terreno, folhas e lodo dá lugar a musgos e liquens, formando um tapete traiçoeiro e escorregadio pelo infindável inclinação pedregoso. As árvores altas sedem espaço a vegetação de altitude. Bromélias e orquídeas ornamentam o caminho e mostram as diferentes faces de uma Amazônia pouco conhecida. No dia do ataque ao cume, são muro de 1000 metros a vencer. Os músculos tensos sentem, a pele marcada pelas folhas cortantes faz lembrar, porque o Parque Vernáculo do Pico da Neblina é considerado um dos lugares mais inóspitos e hostis do planeta. A geografia se transforma abruptamente e o jardim jurássico de bromélias e raízes dá lugar ao caminho rochoso, pulidor e firme. O auxílio de cordas é inevitável para romper os últimos abismos que separam o viajante do Pico da Neblina, que resume-se a alguns metros quadrados, que passam dias a fio sem um único relâmpago de sol, com uma bandeira do Brasil gritando freneticamente aos caprichos do vento. É muito provável enfrentar dias difíceis dentro da mata, para não se ver zero além da Neblina. Entretanto, não é o cume o tempero principal dessa jornada. O caminho, o repto de vencer as limitações físicas e emocionais faz dessa empreitada um tanto para poucos. O topo do Brasil está conquistado!

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2ª – Pico 31 de Março (2.974 m) | Serra do Imeri (AM)

LABIRINTOS FLUVIAIS – Caminhos intrincados e labirintos fluviais dificultam a navegação para se atingir o Pico da Neblina e o 31 de Março. Foto: André Dib
 

A data é para ser esquecida! 31 de março de 1964 foi o dia em que culminou o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e deu início aos anos negros da ditadura no nosso país. O segundo cume mais tá do Brasil foi conquistado no mesmo ano preto, por uma expedição militar, que, provavelmente batizou o pico assim para homenagear o feito catastrófico… Bom, mas essa já é pretérito.

O Pico fica na Serra do Imeri, muito perto do Neblina e pode ser considerado um cume secundário da serra mais subida do Brasil, pois se encontra no mesmo maciço. Mais aplainado que o vizinho gigante, o 31 de março pode ser conseguido a partir do cume do próprio Neblina através de uma crista que liga as montanhas em pouco mais de 600 metros. No entanto vale lembrar que em seguida ocupar os dois cumes a missão ainda não estará cumprida. É preciso voltar, em extenuantes 4 dias pelo mesmo caminho, até São Gabriel da Cascata. Se não conseguir vislumbrar a paisagem lá do tá, ao menos, o perrengue estará guardado.

3ª – Pico da Bandeira (2.891 m) | Serra do Caparaó (MG/ES)

AURORA – A trilha até o Pico da Bandeira é feita à noite, para se depreender o cume com um belo nascer do sol. Foto: André Dib
 

A mais alcançável entre as grandes montanhas brasileiras, já foi considerada a maior do país. No século 19, D Pedro II determinou que cravassem uma bandeira do predomínio dando origem ao nome, onde seria, supostamente o ponto culminante do Brasil. Quase dois séculos depois, essa marca foi desmistificada, no entanto, a imponência de sua forma e a grandiosidade das montanhas na mote dos dois estados, Minas e Espírito Santo, nos revela um país em sua face menos conhecida. Muito próximo ao litoral Capixaba, a serra do Caparaó, que é uma ramificação da serra da Mantiqueira, inspira aventureiros a embrenhar-se pelos escarpados e despenhadeiros na procura pela imensidão vista do cume. O parque pátrio do Caparaó, que foi criado no início da dezena de 60 é uma das áreas de mata atlântica mais representativas do território capixaba, formado também por campos de altitude. A região foi palco da guerrilha do Caparaó, um movimento armado de esquerda que desafiou o regime militar no final da dezena de 60, sendo desmantelada no ano seguinte do seu surgimento. No entanto, é de calmaria que se inspira os moradores mais próximos, onde a vida das pessoas continua a mercê dos costumes do pretérito e da tranqüilidade do interno. A subida ao Pico da Bandeira é feita por trilha tecnicamente fácil, onde não é necessário o auxílio de cordas, porém, o desnível é evidente. A trilha pode ser vencida pelas primeiras horas da madrugada, para ver o nascer do sol do tá do cume, quando os primeiros raios atingem a prisão montanhosa e justificam todo o esforço num espetáculo único em um dos pontos culminantes do país. A jornada começa a partir de Tronqueira, último ponto de carruagem seguindo para o Terreirão à 4,5km de intervalo, onde pode-se acampar. De lá ataca-se o cume por trilha muito marcada, sinalizada com setas amarelas pintadas na rocha que dão a direção. Para quem optar pela subida noturna, é indispensável o seguimento de guia, pois a sinalização é ocultada pela negrume. Lanterna frontal (de cabeça), e pilhas sobressalentes são itens obrigatórios para a subida. Força de vontade e um bom preparo físico são indispensáveis. O insensível também é um fator considerável, pois a temperatura atinge facilmente marcas negativas e as rajadas de vento fazem da empreitada um tanto desconfortável e extenuante.

4ª – Pedra da Mina ( 2.798 m) | Serra Fina (MG/SP)

SERRA FINA – A Pedra da Mina integra o maciço da Serra Fina. Uma boa opção é pernoitar no cume para vislubrar a paisagem.
Foto: André Dib
 

Uma trilha complicada, em um dos lugares mais inacessíveis da Mantiqueira. A Pedra da Mina integra o maciço da Serra Fina, que guarda em seus caminhos intrincados uma das travessias mais difíceis do Brasil. Existem algumas trilhas para se atingir o cume. O primeiro caminho ingénuo, foi pela cidade de Passa Quatro MG, na herdade Serra Fina, num bairro publicado uma vez que Paiolinho. Além dessa rota existem outras 3, uma pela Toca do Lobo, saindo da mesma cidade, outra por Itamonte através da herdade Talento da Serra, e ainda, uma menos publicado saindo da cidade de Queluz. Optamos por fazer a trilha pioneira. O caminho começa por entre árvores altas em meio a mata fechada, passando por alguns riachos, seguindo sempre para o tá. Vale lembrar que as previsões climáticas são imprecisas nas alturas, pois a serra dita a lei que rege o tempo por ali. A subida se encorpa e aos poucos, afloram-se rochedos que dominam a paisagem. Nesse momento entra-se nos campos de altitudes, e o caminho não dá trégua, a escassez de chuva torna a jornada ainda mais extenuante. A vegetação é composta por florestas ombrófilas mistas, localizadas supra dos 1000 metros de altitude e vegetação de altitude. O clima se caracteriza por verões bastante úmidos e curtos períodos de seca. Mesmo para montanhistas experientes, um GPS é de grande valia, já que os nevoeiros são constantes, e as referências visuais se perdem entre a atmosfera brumosa, atrapalhando a navegação. Seguindo os totens que marcam o caminho, e em seguida vencer o inclinação clivoso, avista-se o grande cume com seus 2797m. Até o ano 2000, a Pedra da Mina era considerada, oficialmente, mais baixa que o Pico das Agulhas Negras. Em seguida novidade mensuração, realizada através de uma expedição de dois dias, feita por pesquisadores do departamento de Geografia da USP, a serra passou a ser considerada a 4ª serra mais subida do País e a mais subida da Mantiqueira, superando a vizinha Agulhas Negras. No cume da serra a vegetação é formada unicamente por espécies herbáceas e arbustivas, adaptadas às baixas temperaturas e aos ventos constantes.

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Uma boa opção, é acampar no topo, apesar do insensível. Pela noite a temperatura, seguida de ventos, despenca, mas zero que atrapalhe uma boa conversa ao volta das barracas. Uma ração de rum ou um gole de vinho também é uma boa opção para espantar o insensível. É provável divisar as luzes de dezenas de cidadezinhas ao volta. Pela manhã, o nascer do sol contrasta as paredes de pedra dos vizinhos gigantes de Itatiaia, e faz da Pedra uma das vistas mais impressionantes da Mantiqueira.

5ª – Pico das Agulhas Negras (2.790 m) | Parque Vernáculo do Itatiaia (RJ)

(*10*)AGULHAS – É preciso muito equilibrio, ousadia e força de vontade para se atingir o Pico das Agulhas Negras, monte mais tá do Parque Vernáculo do Itatitaia. Foto: André Dib
 

Grandes lanças sulcadas na pedra irrompem o horizonte na forma de agulhas negras apontando para o firmamento. A venustidade de suas formas esculpidas pela ação dos ventos e a imponência de sua profundidade chamam a atenção de quem visitante a segmento subida do Parque Vernáculo do Itatiaia, o mais idoso do Brasil. Existem duas trilhas mais utilizadas para se chegar ao cume do Pico das Agulhas Negras, a “Via Pontão”, mais fácil e usada pela maioria das pessoas, e que assim mesmo exige bom preparo físico, estabilidade e uma boa porção de coragem para vencer o último trecho. É preciso passar vergado por pequenos corredores espremidos entre as pedras, e pendurar-se em agarras de rochas para vencer os últimos metros. Para assinar o livro, que está em outra torre de pedra próximo ao cume, é preciso vencer um caimento, que a separa do pico com o auxílio de corda, e escalar um trecho íngreme e escarpado para atingir a caixa metálica que resguarda o livro de assinaturas e que está postada no cume solene da serra. Uma outra via, menos usual e mais técnica é conhecida uma vez que “Via Útero”, subindo por uma grande racha rumo ao cume. No entanto a serra possui várias vias para os escaladores mais ousados e algumas rotas que nem foram conquistadas ainda. Do cume avista-se o maciço das Prateleiras, o Morro do Couto, o vale do Paraíba, o vale do Aiuruoca e mais a frente a Serra Fina, que faz valer o esforço, numa visão de 360 graus. Foi ali, nos gigantes do Itatiaia que, supostamente, surgiu o montanhismo brasílico e que ainda hoje tem a capacidade de nos revelar muitos segredos.

6ª – Pico do Cristal (2.769 m) | Serra do Caparaó (MG)

CRISTAL – Ponto culminante do estado de Minas Gerais.
Foto: André Dib
 

Uma serra de formas perfeitas, assim é definida pela maioria dos montanhistas. A origem do nome pode ser notada em noite de lua enxurro. Os cristais de quartzo que afloram na superfície, ganham clarão à luz da lua, em um fenômeno proveniente de rara venustidade. A serra fica na mesma porção do Pico Calçado e do Pico da Bandeira, compondo o maciço do Caparaó. Porém seu chegada é um pouco mais técnico, passando por trechos expostos e exigindo algumas “escalaminhadas”. Zero que não possa ser vencido com alguma insistência, e um pouco de ousadia. A presença de um guia, para quem não tem muita experiência, é indispensável. A maneira mais prática de se saber a serra é na descida do Pico da Bandeira.

A trilha é um pouco fechada no início, clareando na chegada de um grande platô marcado por totens. Será preciso saltar por entre pedras soltas e usar as mãos para crescer na trilha. Existem 2 rotas conhecidas para o Cristal, para o Calçado e o Pico da Bandeira. A trilha Capixaba menos frequentada, e a mais usual, por Minas Gerais.

7ª – Monte Roraima (2.734 m) | Parque Vernáculo do Monte Roraima (RR)

MONTE RORAIMA – Subida ao Monte Roraima, um dos lugares mais inóspitos do Brasil. Foto: André Dib
 

Diante dos olhos, pairam soberanos os Tepuis, grandes montanhas com os topos aplainados em forma de platô. Formado por um dos cenários mais antigos e exóticos do planeta, o Roraima faz segmento dessa prisão de montanhas, e está situado no extremo setentrião, entre o Brasil a Guiana e a Venezuela. Na veras, do grande cume com muro de 90km² , exclusivamente 10% está do lado brasílico, e para subi-lo, é preciso passar a fronteira para a Venezuela, já que os grandes paredões de arenito são inacessíveis para nós, simples mortais. Porém, há registros de escaladores que enfrentaram dias de expedição, escalando e dormindo pendurados nos rochedos para vencer a grande muro vertical, de 1000 metros de profundidade em sua natureza friável. A jornada começa, à partir da localidade indígena Parai-Tepui, e pode resistir de 5 a 8 dias, dependendo do roteiro. Para se depreender a outra borda e conferir o lado brasílico, é preciso escolher o roteiro mais longo. Caminha-se no primeiro dia, muro de 4 horas até o acampamento do Rio Tek, aos pés do Monte Kukenán.

O segundo dia de jornada começa em seguida a travessia do rio Kukenán. É uma ladeira interminável, que aos poucos vai se acentuando. A extensão a percorrer é menor, mas a subida dura é o único caminho a seguir, até se depreender o sopé do monte.

No terceiro dia, é preciso encarar a rampa do Roraima, uma vez que é conhecida. É um inclinação no sentido real da vocábulo, projetando-se sobre o flanco da escarpada parede alaranjada. Trata-se da única via para o cume, um degrau formado pelo desmoronamento das camadas mais superficiais de arenito, compondo uma grande escada de pedras soltas. A escolha foi invenção pelo botânico inglês Everard Im Thurn, consagrado uma vez que o primeiro a pisar no topo, em 1884, em seguida muitas tentativas ao volta do tepui. Os relatos de Im Thurn inspiraram o repórter Arthur Conan Doyle, fundador de Sherlock Holmes, a ortografar O Mundo Perdido.

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Já no topo da serra, a atmosfera misteriosa rouba a cena, estimulando a imaginação diante de ‘gigantes de pedra’ que se espicham até as nuvens. Porquê sentinelas metamórficos, aqueles mesmos rochedos testemunharam o Período Jurássico e assistiram ao lento solidão da América do Sul em relação à África, em seguida a cisão do idoso super continente denominado Gondwana. Os hotéis, uma vez que são chamados pelos índios, são abrigos ou cavernas de pedras que servem uma vez que proteção da chuva e dos ventos. As vegetalidade formam pequenos jardins, agarrados ao substrato pobre e ralo na superfície das rochas. São populações únicas de vegetalidade carnívoras, orquídeas e bromélias, muitas delas exclusivas daquele envolvente. O primitivo tepui nos leva, definitivamente, a outra dimensão. Entretanto o caminho até o lado brasílico é longo. Passa-se por El fosso, enigmática depressão sobre o platô, com um grande e profundo poço marchetado, onde o pavimento desaba subitamente. Mais adiante chega-se a tríplice fronteira. O marco indica o lado brasílico que se deve seguir. A partir dali, pisa-se em terreno pouco explorado, rumo ao incógnito, já que a maioria das pessoas voltam a partir do marco fronteiriço. Segue-se por trilhas pouco visíveis até o hotel Coati, já no lado brasílico. É uma caverna um, esculpida pela chuva e pelo vento, que foram sulcando pacientemente as paredes e compondo formas diversas na rocha.

Em sua arquitetura excêntrica, forjada por milhões de anos, o tepui termina, ao Setentrião, com uma incrível saliência pontiaguda, semelhante à proa de um embarcação. Para se atingir o extremo setentrião do monte, é preciso vencer uma seqüência impressionante de grandes rochas e algumas gretas profundas, essa face é quase inacessível. Mesmo depois da conquista do topo por Conan Doyle, ainda levou quase um século para exploradores e aventureiros atingirem tal ponto. A façanha foi realizada em 1973 por uma equipe de alpinistas britânicos, liderados por Joe Brown.

Os tempos são outros, e apesar do aumento frenético de turistas que buscam as antigas trilhas dos índios que reverenciavam o Deus Macunaíma, os mitos ainda ecoam nos vales que entremeiam os tepuis, seja nas lendas vividas pelos pemons, ou na introspecção a que o monte nos remete. Revelando-nos um encontro com o próprio ser e com a origem da vida.

8ª – Morro do Couto (2.680 m) | Parque Vernáculo Itatiaia (MG/RJ)

VISTA DO COUTO – Do tá do Agulhas Negras avista-se o Morro do Couto, um dos mais acessíveis do Parque Vernáculo do itatiaia.
Foto: André Dib
 

Criado em 1937, o parque Vernáculo do Itatiaia possui duas portarias que separam a mesma superfície demarcada em dois ambientes distintos. Na segmento baixa, árvores centenárias e vegetação típica de mata atlântica compõem a suplente repleta de cachoeiras e poços ideais para banho, no entanto é na segmento subida que se concentra a proeza, a paisagem muda, e as matas dão lugar aos campos rupestres compostos por rochedos de formas variadas e vegetação rasteira que espreitam as grandes montanhas dessa porção extremamente fria do país, que já esteve coberta de neve mais de uma vez.

O Morro do Couto é a primeira serra que se alcança a partir da portaria do parque, e pode ser vencido em duas horas de jornada fácil. A serra é freqüentada por muitos escaladores em procura das diversas vias com variados graus de dificuldade. Outra rota para se atingir o cume, é saindo do Pico das Prateleiras e seguindo pela crista da serra até o tá. Do topo tem-se uma vista incrível do Pico das Agulhas Negras e da Serra Fina. Apesar de ser um dos parques mais visitados do país, ainda existem várias trilhas inexploradas e vias a serem conquistadas.

9ª – Pedra do Sino de Itatiaia (2.670m) | Parque Vernáculo do Itatiaia (RJ)

O SINO – Suas formas arredondadas no topo, lembram grande sino.
Foto: André Dib
 

Em meio a paisagem de formas exóticas, no parque pátrio do Itatiaia, que significa “Pedra Enxurrada de Pontas” em Tupi, encontramos uma serra pouco conhecida no cenário de um dos parques mais visitados do Brasil. Trata-se da Pedra do Sino, com seus 2670 metros. É o terceiro ponto mais tá do parque e está entre as 10 montanhas mais altas do país. Existem várias rotas para se atingir o cume, mas nenhuma delas está muito marcada, devido a pouca freqüência de visitas. A trilha mais conhecida se estende por 12 km, e é preciso subir pela Pedra do Altar, muito próximo ao cume, e descer até a base da Pedra do Sino para, enfim ascendê-la. Por tanto, se trata de uma das ascensões mais extenuantes do parque, tendo que vencer o grande desnível por duas vezes, para se atingir o cume. Suas formas arredondadas no topo, faz com que a serra se pareça à um grande sino sobreposto ao platô. O repto físico e a escassez de turistas pelo caminho valem a escolha.

10ª – Pico dos 3 Estados (2.665m) | Serra Fina (MG/SP/RJ)

MANTIQUEIRA – A Serra Fina, ramificação da Serra da Mantiqueira.
Foto: André Dib
 

A respiração ofegante dita o ritmo, na Serra Fina não existe jornada ligeiro. Para se atingir o pico dos 3 estados, localizado exatamente no marco geográfico que divide Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, é preciso vencer o desnível dessa porção extremamente irregular da Serra da Mantiqueira. A origem do nome, Mantiqueira, que em Tupi significa “Serra que Chora”, parece não fazer muito sentido nessa região, pois a escassez de chuva é evidente, fazendo dessa jornada um tanto ainda mais complicado. Em seguida caminhar horas pela crista da Serra Fina, atinge-se a base da serra que se espicha em um trecho muito íngreme que leva ao topo. O uso das mãos é inevitável projetando o corpo para cima das rochas e ajudando na subida. No cume, é provável caminhar pelos três estados circundando o marco do topo. A multiplicidade endêmica da vegetação encontrada pelo caminho, o repto físico, a vista privilegiada do cume e a possibilidade de estar nos três estados brasileiros faz dessa jornada. Em cada cume, e em cada serra conquistada nos parece provável depreender o firmamento e estar mais perto de um tanto maior, que nunca conseguiremos mensurar exclusivamente sentir. O vento, as nuvens, a natureza e a nossa presença diante dela.


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Categoría: brasil

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