Conheça a cozinheira que venceu o “The Taste” e foi para o Noma aos 23 anos – Revista Glamour

Júlia Tricate venceu a terceira temporada do The Taste (Foto: Reprodução)

Júlia Tricate venceu a terceira temporada do The Taste (Foto: Reprodução)

Se há dois anos contassem para Júlia Tricate que ela estaria trabalhando no melhor restaurante do mundo, dificilmente ela acreditaria. No final de 2016, depois de se formar em Gastronomia e Nutrição, a paulistana se sentiu meio perdida sobre qual caminho seguir na vida profissional (zero mais normal para uma moçoila de 21 anos, né?). Foi aí que, sem muita pretensão, decidiu se inscrever para a terceira temporada do “The Taste Brasil”, do GNT, e entrou para o time de Claude Troisgros depois de invadir o chef com um arroz de língua.

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Jú foi se descobrindo a cada novidade temporada do reality e chamando atenção do seu técnico e também de Helena Rizzo, André Mifano e Felipe Bronze, que foi o responsável por aumentar autoconfiança dela na cozinha. “Ele virou para mim e disse ‘Nutrição? Sério? Onde você estava com a cabeça? Você já é cozinheira, não tem mais o que questionar’”.

Júlia no The Taste com André Mifani e Claude Troisgros (Foto: Reprodução)

Júlia no The Taste com André Mifani e Claude Troisgros (Foto: Reprodução)

Felipe tinha razão, tanto que Jú foi a vencedora da temporada e também convidada para trabalhar no Pipo e no Oro (que tem duas estrelas Michelin), os dois restaurantes do carioca. “Nem pensei duas vezes. Cheguei em morada já avisando o pessoal que iria me mudar para o Rio”, conta.

Depois de mais de um ano de experiência, ela aprendeu muito sobre técnica e liderança. E foi também na cozinha do Pipo que conheceu o namorado, Gabriel, que participou da segunda temporada do “The Taste” e sempre sonhou em trabalhar no Noma, na Dinamarca, liderado pelo chef René Redzepi, e eleito o melhor restaurante do mundo pela revista britânica Restaurant.

Pêssego, Iogurte, Mel e Chocolate Branco do Oro (Foto: Instagram/Reprodução)

Pêssego, Iogurte, Mel e Chocolate Branco do Oro (Foto: Instagram/Reprodução)

O sonho de Gabriel virou também o de Júlia, logo dá para imaginar a alegria dos dois ao receberem a resposta de que tinham sido aprovados para estagiar por lá, né? Hoje, ela aproveita cada minuto para aprender e entender todas as minuciosidades da cozinha de René em uma jornada de trabalho que dura 18h por dia (é isso mesmo, você não leu incorrecto!).

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Em um bate-papo com a Glamour, ela fala sobre todo seu caminho para chegar até cá, a experiência no “The Taste”, os primeiros passos no Noma e o sonho de ter seu próprio restaurante. Leia na íntegra.

Júlia na cozinha do Pipo, de Felipe Bronze (Foto: Reprodução)

Júlia na cozinha do Pipo, de Felipe Bronze (Foto: Reprodução)

O que mudou na sua vida depois de lucrar o “The Taste”?
Lucrar não fez muita diferença. Evidente, tem o prêmio em quantia, mas a participação em si foi o que mudou a maneira de enxergar minha curso. Entrei no programa para me desenredar. Parece clichê, eu sei, mas acho que foi muito isso.Tinha concluído de terminar a segunda faculdade (fiz Gastronomia e Nutrição juntas) e estava completamente perdida sobre o que fazer.  Por qualquer motivo, achava que não daria para ser cozinheira. Evidente que eu sabia que sabia cozinhar, mas achava que não era o bastante. Foi logo que tomei coragem e me inscrevi, mas sem anseio de lucrar. Ou melhor, anseio eu tinha, queria muito lucrar, só não achava que conseguiria.

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“Por qualquer motivo, achava que não daria para ser cozinheira. Evidente que eu sabia que sabia cozinhar, mas achava que não era o bastante””

Durante o programa fui me soltando e vendo que eu conseguia competir de igual para igual, sabe? Mas teve um incidente específico, que inclusive acho que a edição não mostra, em que o Felipe Bronze virou para mim e disse: “Nutrição? Sério? Onde você estava com a cabeça? Você já é cozinheira, não tem mais o que questionar”. Foi aí que a ficha caiu de vez e eu me dei conta do quão longe eu podia ir.

Uma vez que foi trabalhar esse período com o Felipe Bronze?
No último dia de programa, na final, depois de trespassar o resultado, ele me perguntou o que eu estava fazendo e eu disse que não estava fazendo zero. Tinha concluído de voltar da Espanha e de perfazer a faculdade de Nutrição. Foi logo que ele me disse assim: “Quer mudar de vida? Vem trabalhar comigo no Rio”. Nem pensei duas vezes. Cheguei em morada já avisando o pessoal que iria me mudar para Rio.

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Chegando lá ele me pediu para escolher entre Pipo e Oro e depois de passar uns dias em cada um decidi pelo Pipo. Simplesmente porque me identifiquei mais com o estilo de tudo. Fiquei lá mais ou menos um ano e amei. Foi realmente maravilhoso. A experiência foi incrível, eu aprendi muito, desde de técnica até liderança. Sem narrar que foi lá que conheci o Gabriel, né? Além de me gostar, aprendi e aprendo absurdos com ele. Ele é um “geninho CDF”na cozinha.

Depois, fiquei mais quatro meses no Oro. Outra experiência incrível. Ali, consegui entender um pouco melhor uma vez que a cabeça do Felipe trabalha em relação à geração. Nem sempre ele cria os pratos, mas dá certa direção e muitas vezes contribui com ideias muito bacanas, umas sacadas boas, sabe? O faceta é bom, não tem o que falar.

Júlia é formada em Gastronomia e Nutrição (Foto: Reprodução)

Júlia é formada em Gastronomia e Nutrição (Foto: Reprodução)

Uma vez que rolou a oportunidade de ir para o Noma? 
Trabalhar no Noma sempre foi o sonho da vida do Gabriel. Ele já havia sido recusado para o estágio por três vezes. Ano pretérito, quando decidimos que queríamos passar um tempo trabalhando fora, ele decidiu tentar mais uma vez. Eles pedem, além do currículo, um formulário com diversas perguntas do tipo “por que o Noma?”, “por que você?”…esse tipo de coisa.

Depois de um mês, chegou a resposta e ele foi ratificado. Foi logo que ele me incentivou a tentar também. Óbvio que eu, muito mais novidade, com metade da experiência dele na cozinha, não tinha a mínima esperança de ser aprovada, tanto que, algumas semanas depois recebi um e-mail negando meu estágio. Fiquei triste, mas tentei recorrer. Disse que meu namorado havia sido ratificado, que era uma coisa que queríamos poder fazer juntos e tal…Eles falaram que iriam examinar novamente e entrariam em contato. Fiquei até com temor deles acabarem negando o Gabriel depois disso. Recebi a resposta em alguns dias.  O e-mail dizia que havia ocorrido um ilusão com a documentação e que, na veras, eu também havia sido aceita no mesmo período que o Gabriel. Até hoje não acredito muito nisso de “erro com os papeis”, mas o vestuário é que os dois tinham sido aceitos, não importava uma vez que.

Noma (Foto: Instagram/Reprodução)

Noma (Foto: Instagram/Reprodução)

Quando começou na profissão, você imaginava isso?
Não! Diferentemente do Gabriel, que sempre soube uma vez que e onde iria ou queria chegar, eu sempre fui mais insegura. Hoje consigo ver onde quero chegar e que tenho totalidade capacidade para isso.

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“Até hoje me pego pensando: Nossa, eu estou no Noma mesmo? Porque é uma coisa realmente absurda””

E uma vez que é trabalhar no melhor restaurante do mundo?
Inacreditável. Até hoje me pego pensando: Nossa, eu estou cá mesmo? Porque é uma coisa realmente absurda. Tudo ali dentro é muito, mas muito f** por falta de vocábulo melhor. Não é só a comida, são os processos, os métodos de trabalho, os ingredientes, a estrutura, os equipamentos, as pessoas que estão lá… é a filosofia que o René desenvolveu que deixa evidente porque ele está onde está hoje.

Você vai permanecer lá por um período determinado?
Todos os estágios duram três meses. Logo, teoricamente, esse é o prazo. Evidente que tudo pode sobrevir, uma vez que pintar um ofício, apesar de extremamente difícil, até por conta do tipo de visto que temos e de, evidente, sermos um “pacote dois em um”. Mas, em tese, queremos seguir esses três meses e voltar para o Brasil. Agora com outra cabeça e prontos para inaugurar a desenvolver nosso próprio projeto.

Noma (Foto: Instagram/Reprodução)

Noma (Foto: Instagram/Reprodução)

Uma vez que foi saber o René e uma vez que é trabalhar com ele?
No primeiro dia de trabalho, ele veio pessoalmente restringir a mão de cada estagiário e se apresentar. Perguntou o nome e a nacionalidade e deu boas vindas.  Quando ele veio falar comigo, quase tive um treco! Estava limpando mexilhões e correndo que nem uma louca. Quando percebi já tinha estendido a mão para ele, de luva e tudo, toda suja de mexilhão, recolhi rápido e tirei. Me desculpei e ele deu risada.

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Dissemelhante de muitos chefs por aí, ele está no restaurante todos os dias. Não importa se irá ou não perfurar para o serviço, ele está lá.  Chega e cumprimenta absolutamente todos os funcionários, todos os dias.  Toma moca da manhã e almoça conosco.  Se ele é exigente? Extremamente. Indomável? Também. Mas é uma pessoa incrível e realmente um gênio que mudou completamente a história da gastronomia e de uma vez que lidamos com o manjar.

Na cozinha no Noma (Foto: Reprodução)

Na cozinha no Noma (Foto: Reprodução)

Uma vez que é sua rotina? Você comentou que trabalha bastante….
Bastante é pouco. Todos no restaurante trabalham 17 ou 18 horas por dia. Entramos todos os dias às 7 da manhã, fazemos todo o pré-preparo, já que 99% de tudo é produzido diariamente, limpamos a cozinha quatro vezes por dia, fazemos os dois serviços, almoço e jantar ajudando os cozinheiros em suas praças (estações) e saímos por volta de meia noite. É realmente muito puxado, até porque durante esse tempo nos só paramos em dois momentos: para tomar moca da manhã, por volta de 11 horas, muito rapidinho (tipo 10 minutos); e na hora do almoço, às 16h, por meia hora.

Fora isso não estamos só trabalhando. Estamos correndo de um lado para o outro sem parar. Apesar do enorme número de pessoas ali dentro, estamos sempre todos muito atarefados. Ninguém fica parado. Nunca. Todos os dias atendemos 70 pessoas no almoço e 85 no jantar. Parece pouco, mas pensem que são 155 pessoas comendo um menu de 13 pratos extremamente minuciosos e complexos. Alguns, por exemplo, demoram mais de 10 minutos para serem montados. São molhos de mais de 30 componentes, saladas com número exato de ervas, sementes descascadas uma a uma… é tudo milimetricamente posto no prato.

Ou por outra, por ser o que é, apesar de ser um envolvente bacana, todos dentro da cozinha estão sempre sob muito estresse. Sempre correndo e sempre um passo detrás de onde gostariam de estar. É maluquice. Trabalhar lá um ano deve valer por uns cinco.

Noma (Foto: Instagram/Reprodução)

Noma (Foto: Instagram/Reprodução)

O que você achou mais dissemelhante no Noma. Qual pequeno pormenor mais chamou sua atenção nos primeiros dias?
Acho que foi justamente isso, a minuciosidade com que as coisas são feitas ali dentro. Evidente que já esperava que fosse dessa forma, por fim é o Noma. Mas vendo de perto foi dissemelhante. Tem um prato por exemplo, que leva 20 sementes de jerimu. Um único prato, de 155 pratos servidos na noite. Cada uma das sementes é descascada a mão, uma a uma, e se não estiverem perfeitinhas, sem nenhuma mini ranhura ou manchinha, elas simplesmente não podem ir para prato.

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Tem estagiários do mundo todo?
Exatamente. Do mundo todo. Agora conosco tem americano, chinês, português, germânico, mexicano, indiano…também são pessoas de todas as idades e em diferentes estágios da vida. Alguns ainda estão na faculdade, outros já cozinham há anos. O que não muda é que TODOS que estão ali dentro trabalham muito. Ninguém fica parado e ninguém faz corpo tenro.

Júlia Tricate e Gabriel (Foto: Reprodução)

Júlia Tricate e Gabriel (Foto: Reprodução)

Uma vez que é trabalhar junto com seu namorado?
É muito mais fácil do que parece. Não é a primeira vez e acredito que não vai ser a última. Conheci e me apaixonei desse jeito, né? Ele era meu chef no Pipo. Mas, assim, no universal, seja na vida ou no trabalho, nós brigamos e discutimos muito pouco. Mesmo. Nos damos muito muito, logo permanecer o dia todo junto acaba não sendo um problema. Cá, menos ainda.  Na verdade, acho que eu tenho é muita sorte de poder passar por isso com ele, de dividirmos esse sonho e de termos tido a chance de realizá-lo juntos.

Enquanto chef, qual é o seu maior sonho?
Acho que é perfurar um lugar para mim, em que eu possa fazer a comida que eu paladar e acredito. Um lugar rentável e que faça a diferença, que acrescente um tanto, tanto pra quem come uma vez que pra quem está lá cozinhando, detrás do balcão.

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Categoría: brasil

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