História do Carnaval no Brasil: origem e evolução

O Carnaval foi trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses entre os séculos XVI e XVII, manifestando-se inicialmente por meio do entrudo, uma farra popular. Com o passar do tempo, o Carnaval foi adquirindo outras formas de se manifestar, uma vez que o dança de máscaras. O surgimento das sociedades carnavalescas contribuiu para a popularização da sarau entre as camadas pobres.

A partir do século XX, a popularização da sarau contribuiu para o surgimento do samba, estilo músico muito influenciado pela cultura africana, e do desfile das escolas de samba, evento que acabou sendo oficializado com escora governamental. Nesse período, o Carnaval assumiu a sua posição de maior sarau popular do Brasil.

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O Carnaval chegou ao Brasil por meio da prática do entrudo, uma farra muito popular em Portugal. Essa prática estabeleceu-se no Brasil, na passagem do século XVI para o XVII, e foi muito popular até o século XIX, desaparecendo do país em meados do século XX, por meio da repressão que se estabeleceu contra essa farra.

Quadro do século XIX representando a realização do entrudo no Rio de Janeiro.[1]
Quadro do século XIX representando a realização do entrudo no Rio de Janeiro.[1]

O entrudo poderia ser realizado de diversas maneiras, uma vez que manifestações de zombarias públicas. A forma mais conhecida era o jogo das molhadelas, realizado alguns dias antes da Quaresma e que consistia em uma farra de molhar ou sujar as pessoas que passavam pela rua. Poderia ser realizado publicamente, mas também poderia ser realizado de maneira privada.

No jogo das molhadelas, produziam-se recipientes que eram preenchidos de determinado líquido. Esse líquido poderia ser aromatizado, mas também poderia ser malcheiroso e, neste caso, o recipiente era preenchido com chuva suja de farinha ou moca, por exemplo, e até mesmo urina.

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No contexto público, o entrudo era usado uma vez que uma utensílio de zombaria, pois as pessoas voltavam-se contra quem cruzava as ruas das vilas ou cidades. Uma vez que era uma prática muito popular, sobretudo nos séculos XVIII e XIX, essa farra era vista uma vez que uma oportunidade de renda extra para algumas famílias.

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Essas famílias dedicavam-se à produção dos recipientes, que eram preenchidos com qualquer tipo de líquido, para vendê-los em seguida. A farra era tão popular que até mesmo a família real brasileira foi adepta do entrudo. Mesmo sendo popular, o entrudo não agradava à grande segmento das elites do Brasil, tanto que, ao longo da nossa história, diversos decretos contra o entrudo foram baixados.

No século XIX, houve uma intensa campanha contra o entrudo. Uma vez que resultado da passagem da reino para a república, da atuação mais consistente do Estado em ações de gentrificação (expulsão das camadas populares dos centros das cidades) e da repressão a manifestações populares, a prática perdeu forças no primórdio do século XX.

A prelo foi uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento da campanha contra o entrudo no Brasil. Enquanto o entrudo era reprimido nas ruas, a escol do Poderio criava os bailes de carnaval em clubes e teatros. No entrudo, não havia músicas, ao contrário dos bailes da capital imperial, onde eram tocadas, principalmente, as polcas.

A escol do Rio de Janeiro criaria ainda as sociedades, cuja primeira foi o Congresso das Sumidades Carnavalescas, para desfilar nas ruas da cidade. Enquanto o entrudo era reprimido, a subida sociedade imperial tentava tomar as ruas.

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Cordões, ranchos e marchinhas

Mesmo diante dos obstáculos, as camadas populares não desistiram de suas práticas carnavalescas. No final do século XIX, buscando adaptarem-se às tentativas de disciplinamento policial, foram criados os cordões e ranchos. Os primeiros incluíam a utilização da estética das procissões religiosas com manifestações populares, uma vez que a capoeira e os zé-pereiras, tocadores de grandes bumbos. Os ranchos eram cortejos praticados principalmente pelas pessoas de origem rústico.

As marchinhas de carnaval surgiram também no século XIX, destacando-se a figura de Chiquinha Gonzaga, muito uma vez que sua música “Ô abre alas”. O samba somente surgiu por volta da dezena de 1910, com a música “Pelo Telefone”, de Donga e Mauro de Almeida, tornando-se, ao longo do tempo, o legítimo representante músico do Carnaval.

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Afoxés, frevo e corsos

O afoxé é um ritmo musical criado a partir de elementos da cultura africana e que faz parte do Carnaval brasileiro.[2]
O afoxé é um ritmo músico criado a partir de elementos da cultura africana e que faz segmento do Carnaval brasílio.[2]

Na Bahia, os primeiros afoxés (ritmo músico) surgiram na viradela do século XIX para o XX com o objetivo de relembrar as tradições culturais africanas. Os primeiros afoxés foram o “Embaixada da África” e os “Pândegos da África”. Por volta do mesmo período, o frevo passou a ser praticado no Recife, e o maracatu ganhou as ruas de Olinda.

Ao longo do século XX, o Carnaval popularizou-se ainda mais no Brasil e conheceu uma flutuação de formas de realização, tanto entre a classe dominante uma vez que entre as classes populares. Por volta da dezena de 1910, os corsos surgiram, com os carros conversíveis da escol carioca desfilando pela Avenida Medial, atual Avenida Rio Branco. Tal prática durou até por volta da dezena de 1930.

Escolas de samba e trio elétrico

Entre as classes populares, surgiram as escolas de samba, na dezena de 1920. Considera-se que a primeira escola de samba teria sido a “Deixa Falar”, fundada em 1928, que daria origem à escola Estácio de Sá. Outra escola de samba pioneira foi a “Vai uma vez que Pode”, que atualmente é conhecida uma vez que Portela. As escolas de samba eram o desenvolvimento dos cordões e ranchos, e a primeira disputa entre elas ocorreu no Rio de Janeiro, em 1932.

As marchinhas conviveram em notoriedade com o samba a partir da dezena de 1930. Uma das mais famosas marchinhas foi “Os cabelos da mulata”, de Lamartine Babo e os Irmãos Valença. Essa dezena ficou conhecida uma vez que a era das marchinhas. Os desfiles das escolas de samba ganharam amplitude e foram obrigados a se enquadrar nas diretrizes do autoritarismo da Era Vargas. Os alvarás de funcionamento das escolas apareceram nessa dezena.

Em 1950, na cidade de Salvador, o trio elétrico surgiu posteriormente Dodô e Osmar utilizarem um idoso caminhão para colocar em sua caçamba instrumentos musicais por eles tocados e amplificados por alto-falante, desfilando pelas ruas da cidade. Eles fizeram um enorme sucesso. Todavia, o nome “trio elétrico” somente foi utilizado um ano depois, quando Temistócles Aragão foi convidado pelos dois.

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O trio elétrico conheceria transformação em 1979, quando Morais Moreira adicionou o batuque dos afoxés à constituição. Novo sucesso foi oferecido aos trios elétricos, que passaram a ser adotados em várias partes do Brasil.

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O Sambódromo e os desfiles

O Sambódromo, fundado em 1984, é o local no qual se realizam os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.[3]
O Sambódromo, fundado em 1984, é o lugar no qual se realizam os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.[3]

As escolas de samba e o carnaval carioca passaram a se tornar uma importante atividade mercantil a partir da dezena de 1960. Empresários do jogo do bicho e de outras atividades empresariais legais começaram a investir na tradição cultural. A Prefeitura do Rio de Janeiro passou a colocar arquibancadas na Avenida Rio Branco e a cobrar ingresso para ver o desfile. Em São Paulo, também houve o desenvolvimento do desfile de escolas de samba a partir desse período.

Em 1984, foi criada no Rio de Janeiro a Passarela do Samba, ou Sambódromo, sob o procuração do ex-governador Leonel Brizola. Com um imagem arquitetônico realizado por Oscar Niemeyer, a fundação passou a ser um dos principais símbolos do Carnaval brasílio. O Sambódromo sedia os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro.

O Carnaval, além de ser uma tradição cultural brasileira, passou a ser um lucrativo negócio do ramo turístico e do entretenimento. Milhões de turistas dirigem-se ao país na estação de realização dessa sarau, e bilhões de reais são movimentados na produção e consumo dessa mercadoria cultural.

Atualmente, as maiores campeãs dos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro são a Portela (22 títulos) e a Mangueira (20 títulos). Já na cidade de São Paulo, as maiores campeãs são a Vai-Vai (15 títulos) e a Nenê de Vila Matilde (11 títulos).

Créditos das imagens:

[1] Commons

[2] Ana Evidente Tito e Shutterstock

[3] CP DC Press e Shutterstock

 

Por Daniel Neves e Tales dos Santos Pinto
Professores de História

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Source Website: https://sacaairports.org
Categoría: brasil

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