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A primeira eleição direta para presidente da República depois a ditadura militar elegeu o mais jovem presidente que o país já teve. Ex-deputado federalista e governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, concorrendo pelo minúsculo PRN, venceu outros 24 candidatos na corrida ao Palácio do Planalto. Entre eles, os atuais deputados Roberto Freire, Enéas e Ronaldo Caiado, lideranças tradicionais uma vez que Ulysses Guimarães e Leonel Brizola, e o atual presidente da República, Lula.

“Vamos juntos minha gente, vamos erigir o Brasil novo. Agora chegou a nossa vez”

Mas Collor não foi até o termo de seu governo. O impeachment interrompe o primeiro governo eleito diretamente depois 29 anos.

“Está admitida a denunciação contra o senhor presidente da República por transgressão de responsabilidade”

Fernando Collor fez do marketing seu estilo. Com atitudes agressivas e imperiais dizia não ter vínculos com a política tradicional. Seu oração era neoliberal e contra a prevaricação.

Seu Governo começou com medidas de impacto. Collor prometeu derrubar a inflação com um golpe. E assim o fez, confiscando os depósitos em cardeneta de poupança e contas-corrente com o chamado Projecto Collor, elaborado pela equipe de sua ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo. Anunciou uma equipe de governo que considerava inalterável, mas que logo começou a ruir com as acusações de prevaricação sobre integrantes da equipe.

A escol política e econômica já conhecia os defeitos do presidente, diz o senador Antonio Carlos Magalhães, mas preferia Collor à prenúncio da esquerda representada por Lula e Brizola.

“Nós votamos em Collor. Ele não tinha defeito novo. Os defeitos dele eram conhecidos. mas ele conseguiu empolgar o país com uma falsa sentimento de moralidade. que logo se desfez no início do governo”

O primeiro integrante da equipe a ser atingido pelas denúncias foi o ministro do Trabalho, Rogério Magri, que caiu depois a divulgação de uma fita em que admitia ter recebido propina para liberar recursos do FGTS.

A seguir, a ministra da Ação Social, Margarida Procópio, foi demitida. As denúncias continuam e derrubam o ministro da Saúde, Alceni Guerra, por suposto envolvimento no que ficou sabido uma vez que Escândalo das Bicicletas, do qual foi inocentado anos mais tarde.

Também a primeira-dama, Rosane Collor, é envolvida no escândalo de ramal de recursos da Legião Brasileira de Assistência que comandava. Antevendo um mar de vasa, o vice-presidente Itamar Franco rompe com Collor e deixa o PRN.

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Mas o fortaleza começa a ruir mesmo a partir da bombástica entrevista de seu irmão, o empresário Pedro Collor, à revista Veja, que expôs ao público o esquema de tráfico de influências entre governo e empresários capitaneado pelo tesoureiro de campanha Paulo Cesar Farias.

Sentindo-se prejudicado em negociações que envolviam a disputa do mercado jornalístico em Alagoas, Pedro Collor denunciou casos de roubo e suborno de empresários. Acusou Paulo Cesar Farias, o PC, de ser testa de ferro do presidente e de transferir recursos financeiros para o presidente da República.

O impacto da denúncia levou à geração da CPI mista do caso PC, em maio de 1992.

O interrogatório no Congresso levantou suspeitas contra o presidente, mas faltavam provas. A agressiva bancada pró-Collor, conhecida uma vez que Tropa de Choque, tentou arrebatar as denúncias. Até que surge a figura de Eriberto França, motorista da secretária de Collor, Ana Acioli.

Eriberto dá ao Congresso detalhes e pistas do esquema de roubo de PC Farias. Com suas denúncias, aparece a teia de contas-fantasmas em vários bancos do país e o ramal de milhares de dólares para beneficiários do esquema. Entre os beneficiários estão a mulher, a ex-mulher, a mãe, e diversas outras pessoas ligados a Fernando Collor de Mello.

O secretário privado do presidente, Claudio Vieira, tentou logo explicar os recursos uma vez que sendo derivados da campanha eleitoral. Logo as explicações de Vieira sobre os empréstimos contraídos na chamada Operação Uruguai foram desmentidos por uma secretária que revelou a farsa.

A CPI mista aprova logo o relatório em que acusa o presidente da República de se beneficiar com numerário do esquema PC, em atitude incompatível com o decoro do missão.

Collor reage. Na TV, pede ao povo que traje virente e amarelo nas ruas, no dia 16 de agosto, em espeque ao seu procuração. A população dá o troco e veste preto.

“Não me deixem só. Eu preciso de vocês”

Na revelação contra Collor, surge o movimento dos cara-pintadas, que pintam no rosto as cores da bandeira e bradam slogans de queixa. A campanha do “Fora Collor” se amplia.

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O pedido de impeachment do presidente é guiado à Câmara em setembro pelos presidentes da Associação Brasileira de Prensa, Barbosa Lima Sobrinho, e da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcelo Lavenére.

O pedido tramita em ritmo veloz e culmina no dia 29 de setembro com a votação na Câmara. Os deputados, em votação oportunidade, autorizam o Senado a julgar o presidente da República com o voto favorável de 441 deputados. Trinta e oito votos contrários. Vinte e três deputados não compareceram e uma continência.

A votação começou pouco depois das 5 horas da tarde e os 336 votos necessários para o impeachment foram alcançados às 18h50 com o voto do deputado Paulo Romano, do PFL de Minas Gerais. A votação foi interrompida e o plenário cantou o Hina Pátrio.

“Senhor presidente, meu voto pela honra e por aquilo que Minas Gerais representa. meu voto é Sim. (Aplausos, gritos de Fora Collor. Quina do Hino Pátrio).

O presidente da Câmara, Ibsen Pinho, anuncia logo o direcção da proposta.

“Validado o parecer. Está admitida a denunciação contra o senhor presidente da República por transgressão de responsabilidade, segundo denúncia oferecida pelos cidadãos Barbosa Lima Sobrinho e Marcelo Lavenére. Decisão que será comunicada ao presidente do Senado.”

O povo se manifesta contra o presidente e a Polícia Militar calcula em 500 milénio as pessoas nas ruas em 17 capitais.

Um dia depois, o deputado Amaury Muller, do PDT do Rio Grande do Sul, reflete em Plenário sobre a decisão do dia anterior. Ele faz um oração de desabafo pedindo punição a todos os envolvidos no incidente.

“Refletindo os anseios mais legfítimos e amplos da sociedade brasileira, a decisão desta Mansão decreta o termo de um ciclo nefasto e hipócrita, que embora tenha durado pouco mais de trinta meses, provocou lesões quase irreparáveis no tecido político e social do país. Felizmente, os parlamentares souberam ouvir o clamor permanente das ruas, o grito dos oprimidos, e tomaram a posição que o país e a história deles esperavam.”

Amaury Muller pede logo medidas que possam punir os demais envolvidos no incidente.

“Não creio, senhor presidente, que ao sepultarmos esse período obscuro, nocivo e pernicioso, tenha definitivamente eliminado o tumor maligno que prenúncio os valores do trabalho e da democracia. Há ainda um longo e tortuoso caminho a ser percorrido. Não basta despojar do poder quem não soube dignificar o poder. Não basta enquadrar ese mal presidente em transgressão de responsabilidade ou em delito generalidade. Não basta colocá-lo na masmorra. É preciso ir mais longe. À sombra do poder frutificaram interesses espúrios que agrediram e traumatizaram a Região. Não é unicamente o senhor Paulo Cesar Cavalcanti Farias responsável por leste quadro hediondo que a país viveu por quase trinta meses. Há muito mais gente envolvida nas falcatruas, nos escândalos, na prevaricação que cercou desgraçadamente o Palácio do Planalto nesse período.”

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A decisão da Câmara obriga Collor a deixar o missão e esperar a decisão do Senado.

O Senado julga Collor no dia 30 de dezembro e aprova o impedimento por 76 votos a 3.

Um dia antes, o presidente renuncia ao missão, tentando evadir do processo. Mas seu tempo tinha esgotado e seu ato não interrompe o processo.

Itamar Franco, que já exercia a presidência provisoriamente, toma posse em definitivo.

Collor tem seus direitos políticos cassados por oito anos, até o ano 2000. Em 1994, o Tribunal Superior Eleitoral absolve o ex-presidente do transgressão de prevaricação passiva, por falta de provas.

Paulo Cesar Farias é recluso na Tailândia em 1993. Ele cumpre dois anos de pena em Brasília, e depois ser libertado é assassinado em Alagoas.

No próximo Câmara é História, você vai saber um pouco mais sobre o Governo Collor e o projecto econômico heterodoxo que não deu patente.

Leste programa Câmara é História teve uma vez que trilha a música “Que País é Esse?”, da orquestra Legião Urbana.
Consultoria músico de Marcos Brochado
Trabalhos técnicos de Leandro Gregorine
Produção e Apresentação de Eduardo Tramarim
Coordenação de Jornalismo: Aprigio Nogueira.

O Câmara é História é uma produção da Rádio Câmara retransmitida por centenas de emissoras em todo o país. O programa resgata discursos e momentos do Parlamento relevantes, situando-os no contexto político e histórico da quadra em que foram proferidos.

O programa pode ser baixado e reproduzido gratuitamente por qualquer emissora do país.

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Source Website: https://sacaairports.org
Categoría: brasil

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