Primeira Missa no Brasil – História

A principal cousa que me moveu a mandar a povoar as ditas terras do Brasil foi para que a gente dela se convertesse à nossa santa fé católica

O trecho supra foi retirado de uma correspondência entre D. João III e Tomé de Souza, que em 1548 tornou-se o primeiro governador universal do Brasil. Nele, é provável perceber a preocupação do rei português com a expansão do catolicismo. É provável perceber também que a expansão ultramarina empreendida pela reino portuguesa se assentava na dualidade de um projeto colonizador: procurava-se a invenção e conquista de novos territórios e povos e a expansão da fé católica.

Ao obter a dupla missão de dilatação do poderio e da fé, cabia à Diadema o papel de padroeira da Igreja Católica nas terras recém-conquistadas. Procurava-se, logo, não somente superar o repto representado pela invenção de novas terras, mas também obter uma ressarcimento pelas perdas territoriais que a cristandade sofreu posteriormente o início da Reforma Protestante. Sob o vista religioso, a expansão do rebanho católico está inserida no contexto da chamada Contrarreforma, que foi uma série de medidas empreendidas pela Igreja Católica procurando moderar o aumento do número de adeptos do protestantismo na Europa e estimular a expansão da fé católica na cristandade leal a Roma.

Foi dentro deste contexto de expansão do cristianismo que o frei xabregano Henrique de Coimbra (1465-1532), célebre pregador na Índia e na África, celebrou a primeira missa nas terras recém-descobertas por Portugal e que viria a se tornar o Brasil no dia 26 de abril de 1500, domingo de páscoa. O religioso havia sido escolhido uma vez que guardião dos conventos que a Ordem Franciscana iria edificar na Índia sob os auspícios papais. Na frota comandada por Pedro Álvares Cabral, ele comandava um grupo de clérigos seculares que se destinavam a comandar missões no Oriente.

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A missa celebrada por frei Henrique teve a cocelebração de todo o grupo de frades e sacerdotes que integravam a frota no Ilhéu da Diadema Vermelha. A cerimônia foi assistida pelos portugueses e também pelos nativos. De convénio com as anotações de Pero Vaz de Caminha, o sermão realizado sobre a chegada dos portugueses e a terreno recém-invenção constituiu a primeira peça de retórica sacra do Brasil.

No relato feito por Caminha, embora não conhecessem nem o texto da pregação nem o sentido daquela celebração, os naturais da terreno foram surpreendidos pela novidade e assistiram a cerimônia em silêncio com pasmo. Esta formatação de evento sagrado foi usado pelos missionários em eventos posteriores uma vez que forma de espalhamento da mensagem cristã, utilizando, principalmente, o aproveitamento da frase teatral e músico uma vez que instrumento de evangelização. Quando a cerimônia chegou ao término, os índios demonstraram contentamento através de cornos, buzinas e festas com cânticos, danças, trejeitos e saltos.

O quadro de Victor Meirelles (c.1860) ficou famoso ao procurar recriar a cena desta primeira missa celebrada no Brasil em Porto Seguro:

Pintura de Victor Meirelles (1861)

Outra cerimônia importante de cunho cristão foi a colocação de uma cruz, símbolo a qual houve a vinculação com o nome do lugar encontrado: “Terreno de Vera Cruz”. Na ocasião de sua partida, o frei recebeu das mãos de Nicolau Coelho, crucifixos de estanho que deveriam ser distribuídos aos indígenas. Pelas mãos de Frei Henrique, o primeiro pregador do Brasil, lançava-se assim a fixação do Evangelho no Brasil.

Bibliografia:

Léxico Biográfico Ilustrado de Personalidades da História do Brasil – George Ermakoff , Morada Editorial, Rio de Janeiro 2012

Vainfas, Ronaldo (organizador) . Léxico do Brasil colonial (1500-1808) / Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

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